Autores: Alanna T. Pagnoncelli, Daniele D. Limberger, Fabiana S. Cacere, Mírian de França*
Atualmente a busca por maiores produtividades no setor agrícola é freqüente aliada à grande demanda de alimento pela população, assim neste mundo que se encontra em constante evolução se torna necessária a evolução do sistema de produção com o uso de novas tecnologias, visando à resolução dos atuais problemas, como poluição do meio ambiente e a necessidade de alimentos no mundo.
Neste sentido o uso da biotecnologia no setor agrícola tem se destacado. Analisando o desenvolvimento da biotecnologia na agricultura a mesma já vem sendo utilizada há muito tempo, por exemplo, na produção de vinhos, pães, cervejas e derivados lácteos. No entanto, apenas no fim do século XIX que o uso da biotecnologia atual se concretizou e a partir da década de 1970 ocorreu crescimento acelerado no campo da biotecnologia com o desenvolvimento da engenharia genética.
O campo da biotecnologia agrícola está estimulando grupos de pesquisa nacionais e internacionais a desenvolver novas plantas com maior resistência ao estresse, cultivadas com menores quantidades de pesticidas químicos, que podem ser transformados em biofábricas, que propiciam colheita mais rápida, resistência à radiação ultravioleta. A biotecnologia de plantas pode também projetá-las no sentido de reduzir os componentes alergênicos de alimentos convencionais como o trigo e o amendoim. Logicamente, a tecnologia de transformação genética não se encerra com a obtenção do transgênico que expresse a característica-alvo. Para que o transgênico seja efetivamente incorporado ao sistema produtivo é necessário, que o mesmo não apresente riscos à saúde e ao ambiente e, para isso, rigorosos testes realizados em laboratório, casa-de-vegetação e campo, bem como as várias normas de segurança devem ser respeitadas. Embora a base do trabalho de avaliação de riscos seja o mesmo, não se pode fazer generalizações, pois cada transgênico e sua utilização apresenta especificidades, que devem ser conhecidas, caracterizadas e sempre levadas em consideração. Portanto, para a liberação, cada transgênico deve ser avaliado caso a caso.
A engenharia genética aplicada ao melhoramento vegetal vem provocando expressivas mudanças nos sistemas de produção agrícola, possibilitando aumento da produtividade na produção de alimentos, com segurança ambiental e redução dos custos de produção.
No Brasil, apesar da existência de significativos instrumentos legais e instâncias decisórias especificas sobre a questão, práticas não condizentes com a legislação em vigor geraram uma acirrada polemica entre cientistas, agricultores, ambientalistas e representantes do governo.
A velocidade dos processos inovativos da biotecnologia na agricultura vem suscitando questões novas e sensíveis relacionadas à mudanças de praticas agrícolas tradicionais, resultando em considerações diversas sobre seus potencias riscos à saúde humana e animal e ao meio ambiente. No que se refere à saúde humana, teme-se que alimentos produzidos com organismos geneticamente modificados possam aumentar, intencional ou inadvertidamente, o nível de toxinas naturais já existentes em muitas plantas, produzindo enfermidades diversas, assim como provocar novas alergias, gerarem resistência a antibióticos ou mesmo alterar o valor nutricional e o sabor dos alimentos. Há, também, efeitos indiretos, como a maior presença de resíduos de pesticidas nos alimentos, produzidos a partir de plantas que se tornaram resistentes a esses defensivos, em razão da própria engenharia genética. A diminuição no uso de defensivos agrícolas, reduzindo os impactos negativos da agricultura moderna contrapõe aos críticos do uso de plantas geneticamente modificadas.
Não podemos temer as inovações tecnológicas, devemos conhecê-las, para que a discussão saia da linha demagógica, política e capitalista e seja exclusivamente de cunho científico. Com isso evitamos o uso inadequado, ou o não uso de tecnologias que possam contribuir para o aumento na produção de alimentos com respeito ao meio ambiente.
* Acadêmicas do oitavo semestre do curso de Agronomia da Faculdade Anhanguera Dourados. E-mail: alanna_tpagnoncelli@hotmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário